Branca como o leite, Vermelha como sangue ... e chata como um chá morno

               Apesar de ter lido este livro apenas em uma tacada, não foi por estar amando-o. A capa é maravilhosa, simples, te convida a conhecer a sinopse. A sinopse te instiga a conhecer a história e assim passei um bom tempo desejando esse livro. Mentira: desejei o livro só porque a menina é ruiva.


          Finalmente quando o tive em mãos (através do grupo Livro Viajante do Skoob), a expectativa era grande e sentei com vontade, mas a decepção foi maior ainda. A história é, como posso classificar da melhor maneira possível, morno. Isso mesmo, morno, morninho, beirando o chato. Na verdade, só não se tornou enfadonho por causa da narrativa que é bem fácil e corrida. 

                 O narrador é o personagem principal, Leo. Ele se auto-intitula o "leão", e adora exibir sua juba por aí. Se considera corajoso, rebelde e livre. Pff. É apaixonado platônicamente por Beatriz - a ruiva, a Vermelha. Ah sim, Leo classifica tudo através de cores. Beatriz é Vermelha, porque seus cabelos são vermelhos e ela é a paixão. A Vida. Mas Beatriz também é Branca, pois o branco é o desespero, é o Nada, é o fim. Leo tem também, além desta paixão fulminante, um outro tipo de amor, o Azul, por sua amiga Sylvia. A presença da menina é constante e logo percebemos o seu papel na vida de Leo e seu lugar cativa na "friendzone" do cara. 

                Eu sei que falando assim parece uma história linda, lírica e interessante. Mas não se engane assim como eu. A história gira em torno desse amor platônico e é bem óbvia, repetitiva e previsível, apesar de ser mascarada de um pretenso lirismo e drama através da narrativa

                O link entre o título e o enredo é fantástico, num débil ponto positivo. Num dado momento descobrimos que a Beatriz tem uma séria doença que a transforma em uma contradição de branco e vermelho que confude e atormenta Leo, tornando-o mais chato. Sim, porque o protagonista é bem chatinho - obtuso e até mimado. Vive querendo o mundo inteiro, enquanto não enxerga nada realmente em volta, perdido (e prendendo o leitor junto) em pensamentos e reflexões inacabáveis e sem sentido. 

               Os diálogos do livro também são pretensiosos e irreais. Uma hora refere-se à vida comum de um adolescente, outra é denso e cheio de "significados. Aliás, o teor da história oscila bastante entre esses dois lados. Parece legal pra você? Não é. Esse livro e tudo o que achei dele me lembrou muito outro, "Cidade Mágica", que odiei mais ainda. E são realmente muito parecidos em estrutura e narração.

                Apesar de tudo, acabo de perceber que a sinopse pelo menos é tão interessante que vale a pena a leitura. Eu não gostei, mas quem sabe o interesse permanece com alguém aí até o fim? 

               A edição é boa, como sempre a Bertrand não deixa nada a desejar. A capa é belíssima em sua simplicidade e não me lembro de um só erro de digitação ou concordância durante a leitura.






 

              

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