"A Hospedeira". Um quadrado amoroso com apenas três corpos

Capa do livro e imagem de divulgação do filme "The Host"

       É desnecessário lembrar de quanta polêmica e rebuliço a Stephenie Meyer conseguiu criar em torno de seus livros da série Crepúsculo. Jogem pedras quanto quiserem, o fato é que ela conseguiu ficar rica, falada e abriu mundialmente portas para seu gênero da literatura. Não vou entrar no mérito de sua primeira série - até por que, né? Haja manga pra tanto pano. 
       
       O Caso aqui é a estreia eminente de seu primeiro livro pós-Crepúsculo adaptado para cinema - é, filme de "A Hospedeira". Não é notícia nova, mas é notícia. 
 
       Vamos lá, antes de tudo o que EU achei do livro: 

"Acho que Stephenie foi infeliz ao escrever esse livro. Em algum ponto - possivelmente - ela deve ter percebido isso. O livro não é de todo ruim; não é uma leitura de maneira alguma desagradável, porém é só. A aventura não tem objetivo em absoluto.

Os valores humanos são invertidos, questionados, para depois serem totalmente aceitos. Stephenie tentou construir uma história tocante por meio da visão de uma das "criaturas alienigenas" que tentam fazer a coisa certa por meios errados. Mas o tempo todo ela se contradiz com o que defende por certo e/ou errado no livro.

Quando digo que a aventura não tem objetivo é no sentido literal. Peregrina é tomada pelas emoções do corpo de Melanie, saindo a procura do tio desta - com esperança de encontrar os amores de sua hospedeira: Jared e Jamie -, e encontra. E DAÍ? Acontece mais nada... Os humanos tentam matá-la, ela tenta se enturmar... e assim vai umas belas 300 páginas.

Stephenie tentou refletir demais e acabou perdendo a sua essência como escritora - que ela passou tão bem em Crepúsculo [ minha opnião]. Mas bom, jamais esperei que A Hospedeira fosse uma espécie de "continuação" ao estilo de Twilight, mas nem mesmo toda a minha preparação para algo novo com o nome Meyer me poupou da decepção. Stephenie perdeu a graça com Peregrina ( uma personagem tão irritante, insípida e contraditória quanto Bella, para mim ). O livro não traz a emoção necessária para uma aventura com mais de 500 páginas! O romance de Melanie com Jared - e ate mesmo o suposto romance que deveria ter entre Peg e Jared - foi sobrepujado por Ian. Isso me faz pensar em que triangulo Stephenie se referia no seu comentário: ao triângulo Jared, Melanie e Peregrina ou ao triângulo Peregrina, Jared e Ian?

Acho que o livro de qualquer maneira vale a pena ser lido. Alguns, com certeza podem adorar. Talvez uma releitura me faça gostar mais. De qualquer maneira, se quer ler, tenha muita paciência. O livro não é de todo ruim, como já disse, mas não tenha grandes pretensões.

Por outro lado foi bom ler um livro com um final totalmente imprevisível - pelo menos eu esperei o livro todo que fosse, pois como a aventura de Peg não tinha um grande objetivo realmente, não havia, para mim ali, possibilidade de um final feliz. Stephenie conseguiu pelo menos, segurar o "suspense" do final até os últimos capítulos." 

        Só para constar, essa resenha escrevi há alguns anos, na época do lançamento do livro e até lá já evoluí. Minha opinião sobre "Crepúsculo" também e por isso já digo de antemão que prentendo reler tanto a série quanto "A Hospedeira". A gente evolui, amadurece e se tranforma. É interessante dar segundas chances às coisas que não nos agradaram tanto antigamente. 

       Mas voltando ao filme. Não costumo me ligar em filmes adaptados e não vejo mesmo. Detesto gastar dinheiro com cinema, podendo ver o filme em casa (pão dura, magina!) e muito menos sabendo que me decepcionarei com a história do modo como ela foi utilizada. Fora que ver o filme antes do livro é um acontecimento com 0²% de chance de acontecer.

        Mas "A Hospedeira" eu acho que vale a pena ver. Por algum motivo, enquanto lia, conseguia imaginar um filme. Será que tia Stephy pensava a mesma coisa enquanto escrevia-o? Hmm... Dito pelo não dito, vamos ver se dá mais certo que Twilight - porque embora esteja disposta a reler os livros e reavaliá-los, jamais abrirei a boca para dizer qualquer sílaba elogiosa àqueles filmes. 


"Uma em seis bilhões". Wait... What?

       Alguém algum dia pode se perguntar porque diabos sou "uma em seis bilhões" quando cada um em todo o resto do planeta é "um em sete bilhões". 

      Eu poderia dar qualquer resposta filosófica a respeito, mas não. Vou contar a verdade: vivo no passado demográfico porque meu blog foi criado nesse passado. Sim, caros mamíferos, éramos apenas 6 bilhões quando criei minha primeira conta no blogger. 

      "E por que você não muda o nome?" - você deve estar pensando. Acontece que alguém foi mais esperto (e mais rápido) e registrou o "sete bilhões" antes. Buá y.y. 

       Sim, sim, eu sei. Eu poderia "criativar" um nome diferente - apesar das dificuldades inerentes disso. Mas acontece que a nomenclatura do blog tem um motivo.

...E lá vai.

     One Tree Hill é uma daquelas séries de infância que a gente assiste na televisão - geralmente no sbt, aos domingos de manhã. 

       Nunca terminei de assisti. E acho mesmo que quebraria o encanto de criança que eu tinha com essa série. Para mim era coisa de adulto e eu adorava tentar entender todas as problemáticas lançadas na série. 

       Claro, eu assistia enquanto esperava Chaves com você.


Meu casal favorito ever
      De mais a mais, a série tinha uma característica interessante e muito bem feita: ao fim de cada episódio um dos personagens declamava um pequeno texto ou frase com uma mensagem interessante que refletia a situação atual tratada na série. 

     Aquele tipo de frase de status de orkut, sabe? Muito fofas e engajadas. 

    Acontece que a minha predileta é essa: 
"Nesse momento há 6 bilhões, 470 milhões, 818 mil, 671 pessoas no mundo
algumas estão fugindo assustadas.
algumas estão voltando pra casa.
algumas dizem mentiras pra suportar o dia.
outras estão somente agora enfrentando a verdade.
alguns são maus indo contra o bem.
e alguns são bons lutando contra o mal.
seis bilhões de pessoas no mundo,
seis bilhões de almas...
e ás vezes tudo que nós precisamos é apenas uma!"
One Tree Hil
         Não me lembro qual dos personagens falou ou quem escreveu. Também não importa. Mas essa frase diz muito para mim e não achei nome melhor para encabeçar isso aqui.   =)


Skoob: http://www.skoob.com.br/usuario/23330-marcia
Facebook: https://www.facebook.com/books.in.me

Fiquei com seu número

      Dificilmente há alguma autora de chicik lit melhor que Sophie Kinsella. Estou para ver mais divertida e criativa. "Fiquei com seu número" é seu último lançamento no Brasil e conta a aventura de Poppy, a mocinha mais legal da Inglaterra. Sinceramente, ela não poderia ter se encaixado melhor em sua própria história. 

      Apesar de ingênua o suficiente para o gênero do livro, ela pode ser considerada uma mulher normal - sem aqueles complexos chatos e cansativos que sempre irritam as leitoras do gênero, como um azar sobrenatural, ou a mania de falar pelos cotovelos, ou algum tipo de compulsão. Por fim uma mocinha agradável, numa história bem escrita e consistente em seu contexto. 

       A jovem heroína é fisioterapeuta e foi assim que conheceu seu noivo, Magnus, que a pede em casamento com um anel rodado de esmeraldas da família. Lisonjeada e convencidade de seu amor, Poppy noiva e engole dia-a-dia o fato de que se sente burra e menosprezada pela sua futura família. Sim, pois a pobre Poppy perdeu os pais em um acidente muito nova. 

Olha ESSA capa! É pouco fofa não, né?
        E é em torno desse anel, aliás, de sua perda, começa a girar a história. Quando Poppy o perde, se desespera e, insegura com seu relacionamento do jeito que é, faz de tudo para esconder o ocorrido do seu noivo. Traumatizada após ter sido assaltada e ficado sem seu celular, seus nervos quase derretem quando percebe que sem o aparelho com seu número, não poderia atender caso alguém achasse o anel.

         Como Sophie não dá ponto sem nó, eis que como por providência divina a mocinha encontra um celular novinho no LIXO do hotel! "Ora, achado no lixo não tem dono. TODO MUNDO SABE DISSO". E é com essa desculpa que ela se apodera do aparelho e desencadeia os acontecimentos que mudariam o rumo da sua vida. E quando ela descobre quem é o dono do celular... Bem, daí deixa que o livro conta sua história.

           Não digo que não há clichês. Sinceramente, para mim todo romance é um clichê por si só. O diferencial, e o que vai ser o mérito de cada autor, é a capacidade de aproveitá-los em benefício próprio e superá-los através de criatividade. E apesar de não imprevisível, o

          Sem mais delongas, o livro aproveita-se do fato de quão fácil realmente é hoje em dia conhecer pessoas e desenvolver relacionamentos de amor, ou de amizade ou até mesmo profissionais. A vida de todos os personagens passa pelo bendito celular e suas relações entre si baseiam-se nele. Foi interessante observar como alguém pode se sentir segura e íntima com alguém por trás de teclas, enquanto canhestra e encabulada quando face a face. Toda menina que já "namorou" virtualmente e depois conheceu o menino já se sentiu assim um pouquinho. 

          A editora Bertrand, como de costume, foi impecável na edição desse livro. O acabamento é muito bonito e a capa não poderia ter sido melhor escolhida. Além disso, nenhum erro de tradução ou de português feriu os meus olhos. A única ressalva que tenho a fazer é que detesto as folhas brancas, as amarelas são mais confortáveis e sujam com menor facilidade.

            Uma leitura maravilhosa. Para devorar e matar a fome de todas as fãs do gênero e para as iniciantes.

Mundo de Tinta, o título perfeito

             Sabe quando você ama uma série, mas passa muito tempo longe dela? De repente, ao retomar com a história os personagens, outrora velhos conhecidos de guerra, íntimos até, transformam-se em estranhos. 

            É mais ou menos aí que estou em "Morte de Tinta", o terceiro livro da trilogia Mundo de Tinta, da escritora Cornelia Funke. Um ano longe da série, me afastou quilômetros dos personagens. De repende a Meggie cresceu, o Mo se transformou em outra pessoa e brotaram mil e uma novas "faces".

As capas são um charme à parte
Não precisa nem dizer quanto isso torna difícil o acompanhamento da história, né? =/

              O primeiro livro, "Coração de Tinta" não poderia ser melhor. A porta de entrada perfeita para um mundo delicioso de ser lido e percorrido. Esse livro tem uma das narrativas mais fofas que já li, cheia de ingredientes. O tempo todo a Cornelia é sensível e inspiradora. De início não acontece muita coisa, a ação demora para começar, mas nem por isso o livro é chato ou parado.

           Os personagens são incríveis, todos bem construídos e com personalidades imprevisíveis e cativantes. A começar pela Maggie – a menina de 12 anos nada tem de bobinha ou de infantil. Na minha opinião, aliás, é a Maggie o segredo para que a narrativa no início não seja chata. Sua imaginação, personalidade e observações são inteligentíssimas e encantam. Aliás, adoro o modo como a autora colocou os sentimentos da menina em relação à história da mãe e de como ela via as coisas. A Maggie não é uma daquelas crianças protagonistas boazinhas que aceitam tudo e querem ver todos felizes: ela sabe o que é melhor para ela e para quem ela ama, sem ser má, egoísta ou irritante.

            Mo é um personagem à parte. Geralmente não gosto de personagens masculinos tão passivos (bobos), mas no caso dele essa característica chega a ser charmosa. Os outros personagens, Elinor (a quem fui comparada e a personagem que me rendeu grandes gargalhadas), Dedo-Empoeirado e o maravilhoso vilão Capricórnio, até mesmo Fenoglio, são grandes e pequenos shows à parte também. 

       O segundo volume muda completamente o cenário, o contexto e o ponto de vista dos personagens começa a se alterar em preparação para o terceiro volume. "Sangue de tinta" vem como um intermediário; é a "passagem" de uma história para outra - de um mundo a outro é questão de um livro.

              Estou louca para conhecer o desfecho dessa(s) história(s), mas uma mistura de medo de que termine e descontentamento com o rumo das coisas, vem me impedindo.